quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Laranja Mecânica

Bem, imagino que muitos tenham visto esse filme, outros talvez queiram vê-lo e outros nunca ouviram falar. É natural, uma vez que este clássico ainda hoje é visto como marginal. É pesado? Depende do ponto de vista, afinal, pode-se medir um filme de Stanley Kubrick? Foi um dos melhores filmes que já assisti.

Momento estraga-prazeres:
A história se passa num futuro não tão distante, onde proliferam gangues e descontrole. A sociedade é um misto de anos 60 com jetsons, embora não haja muitas tecnologias como as do desenho. O centro é Alex, um jovem líder de gangue e fã de Beethoven e ultraviolência, que noite após noite pratica atos criminosos e que acabam culminando em duas situações que serão determinantes em seu futuro: a invasão da casa de um escritor e o estupro de sua mulher e a invasão da casa de uma mulher que, sinceramente falando, não faço a mínima do que ela fazia. O engraçado dessa parte é que ela é morta por um pênis de cera gigante (?!) pelo Alex que em seguida é traído pelos amigos e é preso. Na prisão ele, através de muita bajulação, ele consegue se inscrever para um programa que promete curar criminosos.
De certa forma funciona porque ele a partir daí só se ferra, pois, já que não consegue recorrer aos impulsos que o movia, ele se torna vítima de outros, como de seus antigos comparsas, agora policiais, e do escritor que tenta induzi-lo ao suicídio. No hospital, enquanto se recupera, eles fazem o promagra ao inverso para traze-lo ao normal.
Há o de praxe: o 1º ministro faz uma visita, aparece com ele para fotografias e promete um bom emprego e salário razoável, já que precisava levantar a imagem do partido, que apoiara o programa. Dá a entender que o partido planeja um golpe político.

Pois bem, esse filme não tem todas aquelas inovaçãoes tecnológicas que se tem hoje em dia. Pra falar a verdade é bem simples, embora, meu amigo, te garanto que se você pegar uma câmera e tentar refilmá-lo, não vai conseguir.
O filme foi fruto de sua época e do sentimento que o diretor sentiu ao ter contato com o livro que o inspirou. E sem dúvida, teve muito do ator que interpretou Alex. O que poderia ser este jovem, essa mente deturpada, mal-criada, sem outra perspectiva na vida senão encontrar prazer na desgraça e sofrimento do outro? Será que é uma resposta ao comportamento desordenado dos jovens de atualmente, a exemplo dos pitboys que rondam as noites (vide filhinhos de papai que surraram uma empregada doméstica na barra há algum tempo) ? Acho eu que foi muito bem realizado.
Claro que os méritos do filme estão além da história: a fotografia e imagem são boas, assim como os diálogos (muito originais), as músicas (quase sempre a nona de beethoven), as atuações e os ligeiros toques de surrealismo que tornam a ficção próxima à realidade. Sem dúvida, esse filme merece estar na prateleira de todos (maiores de 18 anos, segundo a classificação atual).

abraços libertários