segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Meia-noite

Não foram simples palavras, simples gestos gestos ou mesmo simples olhares. Não foram beijos banais ou abraços banais, sem carinho, sem gosto, sem cor. E no entanto, tudo jaz no sono e no esquecimento, amontoado naquela caixa de tralhas que por pura preguiça não jogamos fora. Ainda me lembro do nosso último carnaval, das lantejoulas, dos confetes, das serpentinas, e daquela barulhada na rua de todos gritando e cantando atrás da banda e do carro de som, e daquela melindrosa que com os olhos de ressaca puxava o palhaço como o mar que puxa depois de lhe deixar tonto.

Ah, esse carnaval, querida, lá no alto da serra, naquele vilarejo, aquele friozinho que à noite era tão romântico... mas eis que veio a ressaca violenta e arremessando-se contra o palhaço e a melindrosa jogou-os longe de si... e num instante, foi-se a rosa, o beijo e o carinho. E o palhaço vagando à praia na esperança de encontrar seu amor numa concha trazida pelo mar... Não houve anel, pena ou colar.. ou mesmo concha.
Foi-se tudo à meia-noite... e a cama chora sozinha... O carnaval, palhaço amigo, é um picadeiro vazio. A vida traquinas como sempre trouxe sua piada num espinho pequeno e venenoso... Esqueça palhaço amigo, essa lágrima, esse olhar, esse sorriso triste... não há mais show, a platéia foi-se embora. Então por que choras??? No silêncio da meia noite tudo se encerra, tudo se cura. Meia-noite, vês, hora de fechar a bilheteria... quando o sol vier saltitando pela serra, sorria, sorria como se não houvesse amanhã... as pequenas coisas são as mais belas, como o sol saltitante pela serra trazendo o cantar dos pássaros e toda essa ladainha melosa que ris agora.
E o palhaço sem a melindrosa nas noites perdidas da cidade maravilhosa... o que virá amanhã? Sorria, amanhã é um novo dia

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