sábado, 23 de fevereiro de 2013

Juntando os cacos

Bem.... há quanto tempo não voltava a esse canto escuro da web. Não sentia o cheiro do meu esgoto particular, nem vi as testemunhas de minhas insônias e que preservaram até os comentários. Quantos anos que carrego o Pense?
Creio que foi em 2007 que o criei, empolgado com a blogsfera que 3 amigos me apresentaram. Um escrevia sobre informática, outra escrevia textos intimistas e a última escrevia toda a sua força e garra literária, em pequenos versos, crônicas, fotos e desenhos. Infelizmente não sei onde estão, tampoco posso degustar um belo café na biblioteca daquele blog que eu gostava tanto.
Iniciei minha aventura no extinto weblogger, querendo fazê-lo minha base para expor minhas ideias político-filosóficas do mundo e tentar timidamente publicar minha poesia, tão débil e infantil, mas que julgava merecedora do panteão da Academia Brasileira de Letras.
Nessa época eu lia blogs, acompanhava muitos, conheci alguns que me seguiram e comentavam naqueles posts de garoto rebelde. O Pensador Made in Vaso ainda não existia, mas começa ali a ser formado e as templates antes vivas e revolucionárias, foram tomadas pelo negro e pelas cinzas. Não foi o fim do weblogger que gerou o Pensador, mas todo o movimento estudantil, arte, música, toda a filosofia, sociologia e antropologia que aquele poeta sonhador tropeçou e foi tragado e digerido até que por fim, da lama saiu o Pensador com o peito aberto e olhos em chamas pelo horror do mundo.
Foram 4 PENSE criados nessa trajetória, até que do caos o grito foi silênciado, a rebeldia tombou em crítica, a ideologia presa em poesia e a poesia esmagada e destroçada, virando os versos que alguns poucos conhecem.
Essa minha lixeira guardou posts que pelo bem da humanidade foram destruidos. Não queria memórias daquelas  linhas juvenis tão pobres e entranhadas na linguagem adolescente e de internet. E por fim, apareeu este Pense livre ou vá para o lixo porque já havia um Pense cadastrado no blogger.
O sonho da academia foi redescoberto, porém broxado e enterrado pelas editoras. E o pobre Pensador desmotivado, mostrou a cara ao mundo e se afastou desse canto, envelhecido e esquecido.
Não leio mais blogs, não acompanho ninguém e por isso, ninguém lia esta merda aqui, mesmo com 39 ( ????) seguidores.
Mas a paixão não pode ser ignorada, desprezada e desfigurada quando é parte da respiração, do sonho, do alimento, dos olhos, das mãos e todo o som dessa língua magnífica que possuo. A poesia é intrinseca a Língua Portuguesa e é intrínseca a mim.
O Pensador não mais existe, mas o Erick não pode viver sem escrever.
Não posso mais viver longe daqui, abandonado das letras, dos poemas, dos romances, dos contos, das crônicas, dos roteiros, das peças e das músicas que me enebriavam e gozavam juntos em mim. E eu, dissolvido nessa existência etérea, sorria e me pingava no papel.
Não, não posso mais viver assim, desgarrado do que sou.
Ressucito o Pensador, não mais vomitando o horror e violência desse mundo,
mas a poesia, o sorriso e o choro.
Junto os cacos e retorno,
Seja bem vindo de seu túmulo meu querido Pense Livre ou vá pro Lixo.
Abraços Libertários