quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O retorno do que não voltou

Em 2013, após uma longa ausência, eu postei uma sinopse deste blog e anunciei que voltaria a publicar aqui. Entretanto, foi apenas para inglês ver. Não voltei.
Eu creio que a razão disso é que deixei de externar o rapaz revoltado que eu era (e sou) e passei a construir um novo eu, focado em sua carreira acadêmica. Sim, não apenas entrei para o ensino superior como também me formei. E mais, estou cursando pós-graduação.
Se algum de meus antigos leitores aparecer aqui, há de estranhar. Não apenas estou mais velho, como também me sinto assim.
Não me entendam mal, não me vendi aos valores deturpados do mundo ou corri de braços abertos aos capitalismo. Ainda digo, como título de Zélia Gatai, sou anarquista, graças a Deus!
Crescer é difícil, como todos percebemos. Sinceramente, achava que era simples, que todos os meus sonhos se realizariam num passe de mágica! E meus sonhos era beeeem simples...
1) Ganhar 5 nobéis (se possível, um de cada, para não repetir, sabem?);
2) Publicar as obras que revolucionariam a literatura brasileira do século XXI;
3) Deixar meu nome na história.
Bem..... com muita sorte, quem sabe eu consiga uma nota de rodapé na história...
Eu não sei se foram os constantes "não" das editoras ou o próprio mundo universitário que me fizeram parar de escrever - e não digo apenas aqui no Blog.
Até cheguei a ganhar alguns concursos literários, como o que me permitiu ser do júri jovem do Festival Internacional de Curtas do Rio de janeiro de 2009 e o 2º concurso de minicontos do Estrondo e Esquésito (que permitiu uma de minhas duas únicas publicações literárias).
Desde 2010 minha obra foi escasseando porque precisava estudar para a faculdade, precisava estudar para o estágio e precisava estudar para entender o que diabos estava pesquisando (Sim, pesquisa científica).
E não foi fácil....
Quanto mais minha mente aprendia a se tornar metódica, menos ela captava o exterior. Minha poesia foi desbotando e nem mesmo iniciativas amigas como os Novos Escritores da Juliana Skwara  conseguiram reavivar o fogo que antes havia em meu peito. Para o meu grande desgosto, pois eu queria me animar para fazer parte desse projeto maravilhoso.
Pilhas de idéias esquecidas por não terem sido desenvolvidas....
Poemas deixados pela metade ou sequer escritos...
Contos inacabados....
Romances ainda por retomar...
Eu escrevi meu primeiro romance "Manufatura" aos 17 anos e terminei pouco antes dos 18 (porque queria realizar algo "grande" antes de me tornar adulto). Logo depois enviei para o Prêmio SESC literatura e..... não ganhei. Simples assim. Fiz algumas revisões do texto alguns anos depois, mas depois acabou ficando de lado.... ainda com revisões por fazer.
Além dele, tenho ideías para outros 4 romances. E o que tenho finalizado? 3 antologias de poemas e 1 de contos.
Todos sem publicar porque já não consigo acreditar que serei publicado algum dia.
O que é um escritor que deixa de acreditar em suas palavras? Alguém que não merece que seus escritos passem adiante... alguém que não merece ter um legado.
Creio que faz... uns 5 anos que não escrevo nada que não seja científico. Ou leio, o que é pior ainda.
Teria sido diferente se tivesse cursado letras como mandava o meu coração após desistir de tentar entrar no IME ou no ITA? Não sei.
Apesar de me arrepender de ter saído do mundo dos escritores, não me arrependo de ter entrado no mundo dos biólogos.
Terá sido esse post o retorno esperado, afinal? Só o tempo dirá.
Se alguém ler esse pequeno desabafo neste canto escuro do planeta, deixe sua opinião.
Abraços libertários